Orlando, só pensa em vencer e com qualidade.

A 40 dias da estreia de Portugal no “nosso” Europeu, fomos ouvir e perceber o que nos separa do objectivo “sucesso”, para nos tornarmos campeões da Europa. Orlando Duarte falou-nos num discurso directo e aberto, mostrou estar com muita confiança no seu grupo de trabalho e disse-nos que estão criadas todas a condições necessárias, quer ter atitude, racionalidade e qualidade no seu jogo, para que se crie em redor desta selecção uma massa adepta que reconheça precisamente todos estes predicados. Disse-nos que o mérito da equipa estará em saber guiar-se pela razão e não pela emoção. Desferiu algumas críticas, sentindo que o Futsal por vezes é muito injustiçado, por pessoas que opinam sem saber, e algumas com alguma responsabilidade na nossa sociedade, pois sente-se magoado com alguns dos comentários, e afirma que a modalidade de Futsal é tão e somente a “potência” que se encontra classificada no 4ª posição do ranking da UEFA, e se noutras areas da nossa sociedade tivessemos estas honrosas posições e preformances concerteza seriamos reconhecidamente bem melhores.

São os jogadores André Lima, Bebé, e Formiga baixas importantes na a Selecção Nacional?
Orlando Duarte
– O que eu costumo dizer nestes casos é que lamento, por eles pessoalmente. Relativamente ao André, ele é um jogador que faz parte desde o inicio do processo que eu me recordo, á uns anos largos a esta parte têm estado connosco, têm sido um elemento extremamente importante, não é por acaso que é o mais internacional, em condições normais seria o capitão. Baixas importantes seriam se não pudesse levar os 14 jogadores, lamento por eles, o Bebé devido ao lugar específico que ocupa e a idade que tem, ainda terá mais oportunidades, o Formiga, o Bibi, e o Marcelinho, penso que ainda podem recuperar das suas lesões e estarem em condições de poderem dar o seu contributo assim eu entenda.

Dos 14 eleitos, três serão guarda-redes?
Orlando Duarte
– Confirmo levo três guarda-redes.

Pode ainda o jogador Leitão, um luso-descendente, que é um goleador, fazer parte dos eleitos para o Europeu?
Orlando Duarte
– O processo encontra-se em fase final de conclusão, faltando apenas alguns aspectos burocráticos, é um luso descendente com passaporte português, portanto estará em condições, e se assim eu entender de fazer parte deste grupo de trabalho.

Quais as ambições da nossa Selecção Nacional? Pode ter outra ambição que não a conquista do título, quando jogamos em casa, será esta uma excelente oportunidade?
Orlando Duarte
– Passam sempre por vencer, conquistar o troféu em disputa aliás outra coisa não seria de esperar, senão não seria quem sou, ao longo da minha carreira só me revi assim, sempre para ganhar, que acho que é o que todos pretendemos, se por alguma razão não chegasse á meia final seria o pior momento na minha carreira desportiva, sentiria uma tremenda frustração e desilusão. Mas nem imagino que isso possa vir a acontecer, vamos isso sim dar mostras do nosso valor em todos os aspectos, competitivo, exibicional e organizativo, com a ajuda da nossa Federação e com todas as restantes partes envolvidas.

A Itália foi a única selecção que aproveitou até agora o factor casa, vamos nós também saber aproveitar esse factor?
Orlando Duarte
– Em relação a isto e sem querer levantar alguma questão que motive qualquer tipo de polémica, costumo dizer que a Itália se calhar e muito bem quase que organizou o europeu para o ganhá-lo, pois desde selecções e foi o nosso caso que andaram á procura de pavilhões para treinar, uma desorganização total como que tivemos no nosso hotel em que tínhamos um quarto em cada ponta do hotel, não sabíamos onde andávamos, tínhamos que andar com uma cábula. Foi muita desorganização, nós vamos demonstrar aqui em Portugal com a nossa federação, a nossa organização, que somos muito melhores que eles em termos organizativos e vamos mostrar também isso dentro de campo, que podemos ser tão bons ou melhores que eles. Costumo dizer isto com um certo sentimento de revolta, ainda não me passou estou de ressaca, pois esse europeu está me atravessado.

O factor casa vai ser sempre favorável a Portugal ou poderá nalguns momentos ser o inverso e colocar uma pressão sobre os nossos jogadores?
Orlando Duarte
– Também costumo dizer, e eu tento incutir isto sempre nos meus jogadores, as coisas ganham-se com uma dose ou percentagem muita larga de racionalidade, temos que pôr sempre a razão á frente da emoção. Isto pode funcionar ao contrário como perguntam e muito bem, e é isso que nós não queremos, nós queremos ter qualidade no nosso jogo, ao ter qualidade sabemos que essencialmente os amantes do futsal, nos vão apoiar cada vez mais mesmo que as coisas não nos estejam a correr bem, mas sentem que queremos e devemos lá chegar com determinação e essencialmente a tal qualidade no jogo, pondo sempre a razão á frente da emoção.

Acha ou considera que desde que é o técnico nacional, que tem ou estão criadas as melhores condições para chegar a um título?
Orlando Duarte
– Parece-me que sim, nesta altura, e ainda acontece isto, desde que ando á uns anos com estes jogadores temos passado já por algumas coisas e neste momento nós temos uma média de idades que bate nos 27.86, por exemplo em relação aos últimos jogos que tivemos andamos á volta sempre dos 26, 27 e 28 anos de idade. Acho que é a altura de se calhar, com a qualidade que eles têm e com a maturidade que já atingiram, é o momento ideal para ganhar um titulo, já disse isto á uns tempos, acredito piamente nisto e acho que esta geração ainda vai dar muito ao Futsal português depois deste europeu. A Espanha e a Itália começaram a ganhar títulos com esta média de idades e deram-lhe continuação.

Que análise faz à selecção espanhola que sofreu um revés tão grande com a perda do seu líder Javier Lozano? É ainda considerada a grande favorita?
Orlando Duarte
– Não gosto de falar da casa dos outros, mas de qualquer forma até por respeito que me merece o Lozano, ele que até têm sido uma referência para mim, esta selecção tem sido tão bem liderada ao longo destes anos não me parece que os jogadores vão sentir seja aquilo que for, a passagem de testemunho para o Venâncio na minha opinião em termos de qualidade e liderança será normal, ele é uma excelente referencia e dará continuidade ao excelente trabalho realizado.

Análise da Itália e ao nosso primeiro jogo, sabendo que é muito importante entrar bem de inicio?
Orlando Duarte
– A Itália mantêm-se aquela equipa com a qualidade inerente ao grande lote de excelentes jogadores ítalo/brasileiros que tem, a maior parte dos jogadores são muito experientes, com um conhecimento profundo do jogo, que em Ostrava, (República Checa) foi visível, que o que para nós por exemplo era feito em esforço, eles o faziam com muita naturalidade. Hoje em dia, actualmente com os nossos jogadores já não é assim, já estamos muito perto disso, ou até mesmo ao nível deles, têm demorado algum tempo, andámos se calhar por aí e ao nível do jogo não era o melhor, mas neste momento, e reflexo de tudo isso foi termos também jogadores que passaram lá por fora, entretanto voltaram com outra mentalidade e perceberam que o nosso Futsal não era bem aquilo que devia ser, pois com a qualidade que tem poderiam ser muito melhores, desde que nós consigamos, e isto é importante como tudo na vida, conhecer aquilo que fazemos. Faz lembrar ás vezes aquela gente que falam daquilo que não sabe ou domina. A Itália é fortíssima, vamos ter um jogo difícil para decidir o primeiro lugar do grupo, é importante entrar bem. Têm sido até hoje mais complicado jogarmos contra a Itália, que nos cria mais dificuldades do que contra a Espanha, mas está no momento de ultrapassar isso.

Análise da Republica Checa?
Orlando Duarte
– Defrontamo-los á pouco tempo, tivemos dois jogos de preparação, pena que esses jogos não contassem já para o europeu, pelo menos um deles já daria jeito, mas como não contam. Temos de estar com os olhos bem abertos e perceber que vamos ter dificuldades, são uma equipa extremamente rápida nas transições para o ataque, não podemos compactar o jogo demasiado perto da baliza deles, sermos inteligentes, alargar o campo quando temos a posse de bola, e ás vezes não conseguimos fazer isto, por vezes compactamos em demasia e ficamos perto da baliza adversária com muita gente e pouco espaço, eles são muito perigosos, portanto se perdermos a bola dá um contra ataque, mas para isso vamos preparar bem o jogo.

Análise da Roménia?
Orlando Duarte
– Pelo menos até agora têm feito um trabalho exaustivo, com jogos atrás de jogos, de qualquer forma continua a ser a mais fraca do grupo, em termos colectivos e de conhecimento de jogo, mas em termos individuais têm dois ou três jogadores muito bons, que desequilibram e são muitos rápidos. Poderá ser até uma incógnita.

Deixe-nos uma mensagem para todos os portugueses que vão torcer pela nossa selecção nacional?
Orlando Duarte
– Essencialmente que se desloquem aos pavilhões e que fiquem com a noção, de que as coisas se ganham com a maior dose de racionalidade, é isso que vamos tentar fazer com a máxima qualidade de jogo. Jogar muito mais com a razão do que com a emoção, sermos determinados, consistentes, uma equipa para tentar levar os adeptos a ter o prazer de nos verem jogar, e ficarmos mais perto do sucesso, para que nas alturas em que as coisas não estejam a correr tão bem nos devolvam com o apoio.

O rugby, agora no recente mundial deixou uma imagem de marca, o nosso hino nacional, teremos nós alguma para deixar, ou entende que já havíamos deixado anteriormente?
Orlando Duarte
– Imagem de marca, será a nossa qualidade de jogo para os amante e adeptos do Futsal

Entrevista para o Futsal Magazine realizada em Outubro de 2007.
Rui Da Cruz